PROJETOS EM ANDAMENTO

Experimentação e recepção de audiovisuais na Educação em Ciências e Saúde
Coordenador : Luiz Augusto Coimbra de Rezende Filho
Mais informações

 

Recepção Audiovisual na Educação: leituras e reenderaçamentos produzidos por professores de ciências
Coordenador : Luiz Augusto Coimbra de Rezende Filho
Mais informações

 

PROJETOS CONCLUÍDOS

Reavaliação de vídeos de Educação Médica do NUTES
Coordenador: Luiz Augusto Coimbra de Rezende Filho
Mais informações

 

 

 

Projetos Discentes

 

A PRODUÇÃO DE SENTIDOS POR MEIO DO REENDEREÇAMENTO DE AUDIOVISUAIS POR PROFESSORES DE QUÍMICA

Gisele Abreu Lira Corrêa dos Santos

A utilização do vídeo no ensino de Química contempla a linguagem imagética necessária ao uso de modelos e representações e estabelece vínculo do conhecimento químico ao contexto social, vindo de encontro a ambas as necessidades. Contudo, o uso vídeo não é autossuficiente; o professor escolhe, articula e mobiliza seus conhecimentos diante da utilização do vídeo, resultando em um processo de ensino e aprendizagem dependentes da mediação feita pelo professor. O conceito de reendereçamento envolve as variações no modo no qual o vídeo será adaptado pelo professor para sua apresentação aos estudantes em um contexto de ensino-aprendizagem. Diante disso, o objetivo geral deste projeto de pesquisa é verificar como o uso das ações de reendereçamento em audiovisuais no ensino de Química orienta a produção de sentido dos conhecimentos científicos pelos estudantes. A perspectiva teórica deste trabalho será construída principalmente a partir das relações entre o modo de endereçamento de Ellsworth, o reendereçamento de Rezende Filho e um modelo holístico do processo comunicativo que relaciona a produção, o texto fílmico e a recepção audiovisual para a análise da produção de sentidos dos conhecimentos científicos. Em relação aos procedimentos metodológicos, o projeto de pesquisa será desenvolvido fundamentalmente a partir do planejamento das seguintes etapas: seleção e levantamento exploratório do local e dos participantes da pesquisa; análise fílmica dos audiovisuais; observação de aulas através de registro audiovisual; entrevistas com os docentes; estudo de recepção com os discentes por meio de questionários e/ou entrevistas. Espera-se ampliar a compreensão do tema reendereçamento em abordagens experimentais, trazendo novos conhecimentos para o entendimento das relações entre o reendereçamento e o ensino de ciências e saúde.

 

A PRODUÇÃO DE VÍDEOS COMO UM PROCESSO DE FORMAÇÃO PARA A COMPREENSÃO DA LINGUAGEM AUDIOVISUAL POR ESTUDANTES DE LICENCIATURA EM BIOLOGIA

Renato Campos Vieira

O vídeo foi introduzido na educação em meio a muitas expectativas e detentor de muitas potencialidades. Porém, muitos trabalhos apontam que o uso de vídeos no ensino de ciências ainda são muito pautados para a ilustração de conteúdos ou para a motivação dos alunos, e, até mesmo, como substituição do professor em sala. Em relação a este uso limitado do audiovisual, Vidal, Rezende Filho e Casariego (2013) trazem relatos de professores de ciências que já trabalharam com vídeos, alegando que suas formações foram muito fracas ou que faltou orientação quanto ao uso do audiovisual. Segundo Passou et al. (2011), o fato de os professores utilizarem o audiovisual na forma mais tradicional “pode estar relacionado com a falta de abordagem do uso deste recurso, assim como de outros mais modernos, durante a formação ou da falta de discussão a respeito dos novos caminhos para esta área”. Tendo em vista que no cenário atual há uma carência na preparação do professor em formação inicial quanto ao domínio da linguagem audiovisual, como seria então, um processo formativo que sanasse essa situação? Assim, esta pesquisa objetiva compreender e analisar a importância da inserção da linguagem audiovisual para estudantes de licenciatura em Biologia, através do desenvolvimento de um processo formativo envolvendo a produção de vídeos. Trata-se de pesquisa qualitativa, onde será feito um estudo de caso, envolvendo alunos do curso de licenciatura em Biologia. Será feita uma análise documental procurando identificar a inserção da linguagem audiovisual no currículo do curso de Biologia da UFRJ. Também será feito acompanhamento de uma turma do curso em licenciatura de Biologia da UFRJ, na disciplina de metodologia do ensino para, e, após período de observação, desenvolver e aplicar uma oficina de produção de vídeos com os alunos, abordando os diversos aspectos envolvendo tal atividade. Autores como Bergala (2008) dão grande importância ao ato de criação e em todo o processo que o estudante adquire ao elaborar um vídeo, e que é nessa procura por ações conduzidas pelo desejo de ver sua obra finalizada que se dá o grande valor da aprendizagem. Assim, ao iniciar o estudante na produção de um vídeo, estes passam de sujeito passivo, que recebe a informação da tela, passando para a posição ativa, que criam, pensam e idealizam sua visão para produzir seu próprio material. Mesmo assim, muitas vezes o produto final nem chega a ver a luz do dia, mas tudo o que o estudante adquiriu durante o processo de criação, que englobam desde pensar nos modos de endereçamento (ELSSWORTH, 2001) até os aspectos técnicos de uma produção, é que tornam a experiência tão enriquecedora. No caso de professores em formação inicial, ter contato com esse ato de criação pode fazer com que todo processo que envolve a construção de um vídeo, desde a ideia/conteúdo inicial até o ato final, que é entregar ao público sua produção, tornem o trabalho com a produção de audiovisual tão rico e potencializador de aprendizagem. Essas e outras questões são de extrema importância para que a prática com o audiovisual vá além da sua utilização com objetivos motivadores e ilustrativos. O processo de criação defendido por Bergala (2008) tanto a leitura dos modos de endereçamento proposto por Ellsworth (2001) é apenas um começo para o aprofundamento e posterior trabalho diferenciado, tendo a produção de audiovisual como ponto de partida. Introduzir tais conceitos nesse percurso fará com que o estudante internalize e trabalhe de sua forma o que está aprendendo. Fica evidente a importância de estudantes de licenciatura em Biologia, terem a oportunidade de passarem por um momento de iniciação à linguagem audiovisual, dando oportunidade para discutirem suas concepções, exporem conhecimentos prévios e produzir seus próprios artefatos culturais. Dessa maneira, futuramente, quando estes forem exercer a prática docente, serem então, aptos a trabalhar as potencialidades do audiovisual, que hoje é tão pouco explorada no ensino, estimulando a participação, coletividade, o debate e autonomia.

 

A MEDIAÇÃO DE CONTEÚDOS AUDIOVISUAIS EM UM MUSEU DE CIÊNCIAS ITINERANTE

Willian Alves Pereira

Os museus e centros de ciência têm apresentado crescimento nas últimas décadas. Esses espaços atuantes na popularização da ciência são instrumentos importantes para a divulgação do conhecimento e construção da cultura científica para cidadania, auxiliando no aprendizado dos visitantes e no conhecimento das gerações anteriores através das histórias das ciências, podendo funcionar como complementação dos espaços formais de ensino, contextualizando a temática abordada e funcionando como uma maneira ativa de produção de conhecimento. Um meio que auxilia na redução das dificuldades encontradas no ensino de Ciências, é a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), como por exemplo, os recursos audiovisuais, os quais permitem aos alunos entrarem em contato com o conteúdo de forma de imagem e som, despertando a curiosidade e promovendo uma melhor abordagem da temática de forma contextualizada. Porém, somente a utilização do vídeo não pode assegurar a aprendizagem dos alunos, o professor ou mediador, deve saber como utilizar determinado material a fim de atingir os objetivos no processo de aprendizagem. No entanto, devemos considerar que em um espaço formal, o público alvo é mais homogêneo, tendo uma média de faixa etária e interesses parecidos. Já em um espaço não formal de ensino, o público alvo diverge na faixa etária e nos interesses em comum, cabendo ao mediador fazer a adaptação do conteúdo para diferentes públicos (reendereçamento), o qual é o foco deste trabalho, analisando como os mediadores do Ciência Móvel (CM), que é um museu de ciências itinerante, vinculado ao Museu da Vida/FIOCruz, realizam o reendereçamento do conteúdo utilizado no caminhão do CM. Um outro ponto a ser investigado, em uma forma mais abrangente, é como esse conteúdo pode contribuir para a formação e melhor entendimento da cultura científica na população em geral ao realizar a análise dos vídeos e do conteúdo que pode ser abordado, buscando identificar o endereçamento (a necessidade de se pensar para quem determinado vídeo foi produzido e qual posicionamento do espectador ele promove) de cada um dos vídeos e o seu significado preferencial (a intenção dos produtores do vídeo). O presente trabalho apresenta como cunho metodológico uma pesquisa de base qualitativa , que analisa o papel do mediador como uma peça chave na transposição museológica e sua atuação no endereçamento/reendereçamento dos vídeos utilizados no caminhão do Ciência Móvel, assim como busca analisar o conteúdo fílmico, a fim de verificar o endereçamento e o significado preferencial de cada um dos vídeos. O trabalho apresenta como objeto de pesquisas 03 vídeos da série “Um cientista, uma história” (Carlos Chagas, Oswaldo Cruz e Maurício Rocha e Silva), 01 vídeo da série “Ciência em Gotas” (Bertha Lutz) e 05 vídeos da série “Profissão Cientista” (Biodiversidade, Imunologia, História das Ciências, Entomologia e Doenças Infecciosas. O projeto se inicia com a análise dos vídeos, buscando identificar seus significados preferenciais e endereçamentos, visando buscar pontos que podem representar desafios para a mediação. Posteriormente, partindo da aplicação de questionários e entrevistas coletivas, pretende-se analisar a atuação do mediador junto aos vídeos para diferentes níveis de público.Com isso, pretende-se entender melhor como os mediadores realizam o processo de reendereçamento para diferentes níveis de público e como que a utilização de conteúdos audiovisuais em diferentes espaços pode contribuir para a compreensão de determinados temas, complementando os espaços formais de ensino.